segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Mimetismo – Por que sofremos os efeitos da imitação?


  Muitas vezes, imitamos inconscientemente a entonação da voz, a escolha das palavras e o gestual de outras pessoas;também adotamos seus pontos de vista e os introjetamos como se fossem originalmente
nossos; esse comportamento é útil para a convivência social.
  Pense em um casal conhecido seu que viva junto há muito tempo. Procure uma antiga foto dos dois e compare-a com outras atuais.  Provavelmente você notará que essas pessoas têm se tornado mais parecidas com o passar dos anos. Esse espantoso fenômeno foi descoberto pelo psicólogo social Robert Zajonc, nos anos 1980. O pesquisador falecido em 2008 e seus colegas da Universidade de Michigan em Ann Arbour apresentaram aos voluntários casais e pediram que avaliassem as semelhanças em sua aparência. Realmente, os traços faciais das duplas que estavam juntas havia muitos anos foram classificados como muito semelhantes. Ainda mais surpreendente: quanto mais obviamente a fisionomía havia se tornado similar, mais satisfeitos os dois estavam com o relacionamento, segundo as suas próprias declarações.
    Esse “efeito camaleão” foi abordado pelo diretor Woody AlIen em Zelig, de 1983. O personagem principal, que dá nome ao filme, se adapta física e psicologicamente ao seu meio ambiente — quando o protagonista está rodeado por pessoas mais gordinhas, por exemplo, sua barriga estufa. Nesse trabalho, Woody Allen apresenta uma caricatura da necessidade humana de buscar conformidade. Obviamente não possuímos a capacidade de igualar nossa aparência ao meio ambiente em segundos; no entanto, os seres humanos tendem a imitar inconscientemente aqueles com quem interagem. Psicólogos falam aqui em mimetismo (do grego antigo mimesis = imitação), com base no conceito usado na biologia para designar o fenômeno segundo o qual algumas espécies animais inofensivas assumem características externas de outra espécie mais agressiva, para espantar predadores.
    A capacidade humana de mimetizar é aparentemente inata. Recém-nascidos com poucos dias de vida começam a chorar quando ouvem outros chorando. Bebês entre 3 e 4 meses reproduzem movimentos simples de boca e põem a língua para fora ao ver alguém fazer esse gesto. Aos 9 meses, os pequenos já imitam as expressões faciais de alegria, tristeza ou irritação da mãe. Os pais tiram proveito desse desejo humano de imitar. lntuitivamente, ao oferecer mingau aos filhos, eles próprios abrem a boca para queo bebêtambém o faça — e em geral funciona.
Os adultos frequentemente reproduzem a linguagem infantil ao falar com as crianças. Mas também imitam, sem perceber, um interlocutor da mesma idade: se uma pessoa do Nordeste do Brasil conversa com outra da região Sul, a primeira logo estará imitando levemente o sotaque da segunda, e vice-versa. Ao conversarem, as pessoas costumam buscar uma espécie de ajuste no que diz respeito à velocidade da fala, ao ritmo, à impostação e ao vocabulário. Até mesmo a estrutura das frases usada pelo outro é copiada.
A altura da voz e o estado emocional das pessoas também são influenciados pelo meio ambiente. E o que mostra, por exemplo, um estudo desenvolvido pelos psicólogos Roland Neumann e Fritz Strack. Os cientistas, que hoje pesquisam nas Universidades de Trier e Würzburg, Alemanha, apresentaram aos sujeitos do experimento uma gravação em que um locutor lia em voz alta um texto filosófico. Mas enquanto metade dos voluntários escutou a leitura com entonação alegre, a outra parte ouviu a leitura em tom triste. Quando os participantes tiveram de repetir o texto, eles não apenas assumiram a altura de voz similar à do locutor, mas também demonstraram o mesmo estado de espírito que perceberam. A observação dos aplicadores foi confirmada por uma entrevista feita na sequência com os participantes. Dessa forma, as pessoas poderiam se assemelhar mesmo na aparência: quem tem sempre um parceiro bem-humorado ao seu lado — e capta isso por meio da mímica—caminha mais alegre pelo mundo.
    Outro indício de como a imitação influencia a aparência a longo prazo foi descoberto pelo psicólogo Ulf Dimberg, da Universidade de Upsala, na Suécia, nos anos 1980. Ele mostrou aos participantes fotos de pessoas alegres e irritadas enquanto registrava, por meio de sensores, a atividade muscular no rosto dos observadores. Realmente, nas contrações imperceptíveis refletiram as emoções apresentadas nas fotos.
    Hoje, pesquisadores supõem que a apresentação constante de uma expressão facial fortalece a musculatura e influencia os vasos sanguíneos, o que, a longo prazo, pode modificar a própria mímica. Uma pessoa que por anos a fio mantém um semblante preocupado tende a se mostrar assim mesmo em situações nas quais não deveria estar dessa maneira, como se o rosto adotasse determinada “máscara”, o que se reflete na forma de essa pessoa se relacionar com os outros e até consigo mesma. Seguindo essa lógica, podemos pensar que a imitação constante faz com que parceiros de fato se tornem cada vez mais semelhantes com o tempo.
    Esses estudos sugerem que, ao observar-mos movimentos alheios, tornam-se ativas regiões cerebrais que coordenam a atividade motora correspondente em nós mesmos.
    A imitação social ainda cumpre uma função importante: recém-nascidos já se comunicam dessa forma com seus semelhantes e aprendem assim a se comportar de maneira adequada, inserindo-se no grupo. Esse comportamento, porém, também se aplica a adultos que, por exemplo, após uma mudança, precisam se integrar a uma nova comunidade. Como diz o provérbio, “estando em Roma, aja como romano”. De fato, a imitação pode ser importante para a integração e sobrevivência.
    A psicóloga Jessica l. Lakin, da Universidade Drew, em Madison, no estado de Nova Jersey, acredita que imitamos nossos semelhantes principalmente quando buscamos conexão social, muitas vezes também imitamos sem perceber.
    Em um segundo experimento, Lakin demonstrou que os socialmente excluídos tendiam a imitar seus pares, ainda mais quando lhes era informado que todos haviam participado do mesmo jogo (e uma daquelas pessoas poderia ter sido sua adversária).
    Embora as conclusões de Jessica l. Lakin façam muito sentido, é importante lembrar que não imitamos os outros apenas quando nos sentimos deixados de lado.
    A necessidade de mimetismo também cresce em situações nas quais a proximidade é importante por outros motivos.
    Será que as pessoas se reconhecem como mais simpáticas quando se imitam mutuamente?
     Por incrível que pareça, mas alunos e professores consideravam seu relacionamento mais harmônico quanto mais intensamente os estudantes imitavam as mímicas e o gestual do docente. No entanto, a causa e o efeito nesse caso não estão claros: talvez o mimetismo também ocorresse porque os envolvidos consideravam positivamente seu relacionamento e, por isso, “seguiam o mestre”.
    Aparentemente, o comportamento mimético estimula a boa convivência e os vínculos sociais.
    Aparentemente, as pessoas servem-se do mimetismo quando buscam criar conexões, de maneira automática, sem se dar conta desse procedimento.
    Os efeitos da imitação, portanto, não são ilimitados, mas comportam sutilezas que podem estar ligadas aos valores, desejos e subjetividade de cada um, Além disso, os resultados confirmam mais uma vez que a percepção e a ação estão estreitamente conectadas. Para pesquisadores como o psicólogo holandês A. Dijksterhuis, da Universidade Nijmegen, uma percepção sempre inicia também um comportamento correspondente.
    O mimetismo, porém, também pode nos influenciar negativamente de outras formas. Assim como chegamos em casa alegres após uma noite em companhia de pessoas divertidas, o mau humor do chefe e dos colegas também nos afeta. O risco é nos tornarmos cada vez mais parecidos com algum “emburrado de plantão” com o passar dos anos.    
    Em nome do próprio bem-estar, vale ficar atento.

Pr. Marcelo da Costa 

4 comentários:

  1. A paz do Senhor.

    Parabéns pelo blog! excelente

    Para consolidar ainda mais a nossa parceria, queria lhe convidar a fazer parte do grupo "blogs evangélicos" no site de divulgação 2leep.
    Cadastrando seu blog no grupo, seus posts serão apresentados nos outros blogs e vice-versa.

    Todos os detalhes neste link:

    http://rochaferida.blogspot.com/2011/08/convite-todos-os-blogueiros-evangelicos.html#axzz1Up3yh48C

    Léo Almeida
    rochaferida.blog

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  2. Graça e paz Leo.
    Obrigado... já me cadastrei lá, só aguardando agora.

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  3. A paz do senhor pastor Marcelo, como vai?
    Seu blog já faz parte do grupo de blogs evangélicos do 2leep.
    A partir de agora seu posts estarão sendo apresentados nos outros blogs cadastrados no grupo. Por isso peço que você também crie um widjet no 2leep, e coloque em seu blog, o local mais indicado é abaixo dos posts. Assim todos nós seremos beneficiados.
    Lembrando que quanto mais cliks seu blog enviar ao site, mais seus posts aparecerão nos outros blogs.

    Qualquer dúvida estou a disposição

    Deus abençoe!

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  4. Paz do Senhor, já está feito caro irmão.
    Deus abençoe.

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